IPv6 a solução para o crescimento da Internet

Entenda o que é o IPv6 e como ele funciona


Hoje o assunto é IPv6.
 

Mas o que significa isso? Bem, vamos começar pelo seguinte: todo site ou serviço que a gente utiliza na Internet possui uma identificação única, como se fosse uma carteira de identidade ou CPF. Nosso CPF é composto por números, correto? A empresa também possui uma identificação, o CNPJ, que também são números. Cada dispositivo que acessa a Internet igualmente deveria ter uma identificação única, seja um smartphone, um notebook, um PC desktop, uma smartTV, etc. O que identifica o site que a gente acessa é um endereço IP. Google, Facebook, Youtube, Instagram, Apple, Microsoft, etc., etc., etc., todos possuem um endereço IP somente deles, para que possamos acessá-los.

Mas eu não coloco no meu navegador o endereço IP? 

Não, você não coloca, porque o DNS (Domain Name System), assunto que abordei no artigo anterior, faz a conversão de nome para IP e vice-versa. Contudo, por baixo do capô da Internet, tudo funciona em cima de IP.

Agora é que vem o problema: existem duas versões de IP atualmente: aquela com que estamos acostumados, que é o IPv4 (versão 4), e a nova versão IPv6 (versão 6), que nem é tão nova, pois já existe desde 2012, quando foi lançada mundialmente.

Mas porque o IPv6 foi criado?

Por que, quando o IPv4 foi idealizado com o surgimento da Internet, não se imaginava que ela fosse crescer tanto em tão pouco tempo. O que quero dizer é que não se acreditava que não haveria IPv4 suficiente para todos os dispositivos no futuro. Em 1990 começaram a se preocupar e, em 1993, o IETF (Internet Engineering Task Force) requisitou propostas para solução do problema. De então até aqui, em 2020, a quantidade de IPv4 vem se esgotando e rapidamente, principalmente com a ajuda do IoT (Internet das Coisas).

Em 2012 tivemos o lançamento mundial do IPv6, que trazia uma nova numeração IP, essa sim com grande capacidade, pensando no crescimento exponencial da Internet. Só que as empresas e entidades no mundo não achavam que o esgotamento do IPv4 aconteceria. Provedores de Internet, fabricantes de equipamentos como roteadores, switches, etc., também não. Contudo, nós, na Intnet, sempre focados nas tendências, nos antecipamos, e desde 2013 fornecemos IPv6 nas conexões de nossos assinantes, mesmo para aqueles que ainda não tivessem roteador compatível com essa versão.

Hoje todas as grandes empresas e sites de conteúdo já possuem IPv6: Google, Facebook, Youtube, Microsoft, Instagram, Linkedin, Twitter e muitos outros. Porém, não adianta somente eles terem IPv6. Todos os provedores de Internet precisam fornecer Internet com IPv6 para seus assinantes; e esses, em contrapartida, precisam que seus equipamentos suportem IPv6, uma vez que a comunicação só funciona em IPv6 se todos os dispositivos envolvidos possuírem IPv6. IPv4 não conversa com IPv6; eles são incompatíveis.

Enquanto ainda não tivermos uma Internet 100% IPv6 -- com sites, serviços, provedores de Internet e assinantes --, precisaremos de mais IPv4 para podermos, em paralelo, continuar crescendo a Internet, mas migrando de IPv4 para IPv6.

Aí você me pergunta: mas se o IPv4 acabou, como estamos conseguindo usar a Internet ainda?

Visto que estamos sem IPv4, não conseguimos mais blocos desse IP com as entidades reguladoras de Internet. Por isso, somos obrigados a aplicar técnicas para economizar o uso do IPv4 e assim mantermos sua quantidade por algum tempo, até que possamos finalmente ser 100% IPv6 no mundo. Essa técnica é conhecida pelo nome de CGNAT (Carrier Grade Network Address Translation) e permite, por exemplo, que com o correspondente a 1 IPv4 se possa ter 32 assinantes sob o mesmo IP. Com isso, podemos aumentar a capacidade de atendimento em 32 vezes. Mas nem tudo são flores, o CGNAT pode trazer problemas com conexões de Internet -- na maioria das vezes vai funcionar e o assinante nem vai perceber que está usando, mas existem serviços que não são compatíveis com CGNAT e, portanto, não irão funcionar. Todos os provedores de Internet que possuem mais assinantes que o seu estoque de IPv4 já estão usando CGNAT.

Por conta disso tudo que nós, da Intnet, sempre alertamos nossos clientes para que, ao adquirirem algum equipamento novo de uso na Internet, que confirmem se ele possui suporte à IPv6. Desaconselhamos a compra de aparelhos que só tenham IPv4, porque futuramente ficarão obsoletos. 

O roteador é o principal equipamento do assinante, ele precisa ter suporte à IPv6 e funcionar adequadamente no seu Provedor.

Da mesma forma, caso pense em contratar outro provedor de Internet, verifique se ele já possui e entrega IPv6 para o assinante. 

Se fizer algum serviço, como instalação de câmeras, em sua empresa ou residência, pergunte se a solução trabalha em nuvem ou em IPv6. 

Somente usando equipamentos e serviços em IPv6, você não precisará usar mais o CGNAT, minimizando assim a incidência de problemas na sua conexão.

Quer testar se você já possui IPv6? Acesse esse site no seu navegador e descubra: https://test-ipv6.com/
 

Confira esse vídeo do Nic.BR. Ele explica bastante sobre CGNAT e IPv6:
https://www.youtube.com/watch?v=_JbLr_C-HLk

Esse artigo foi útil?
Usuários que acharam isso útil: 3 de 4

Comentários

2 comentários

Por favor, entre para comentar.