Estou com problemas para conectar minhas câmeras. O que fazer?

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Todos os equipamentos necessitam de um endereço para se comunicar na internet. Neste texto, abordaremos o tema de forma breve a fim de compreendermos as formas de endereçamento para se conectar à internet e a importância de termos nossos equipamentos compatíveis com as novas tecnologias que hoje estão sendo implementadas.

 

O que é um endereço IP?

O IP (do inglês Internet Protocol) é um protocolo utilizado para comunicação de dispositivos em uma rede.

Cada equipamento conectado na rede (computadores, notebooks, smartphones, etc)  recebem um Endereço IP, que  consiste em uma sequência numérica de identificação para se comunicar, seja localmente ou na internet.

Quais são as versões de IP existentes?

Atualmente existem as versões IPv4 ou IPv6.  O IPv6 surgiu devido ao esgotamento do IPv4 devido à grande quantidade de equipamentos conectados na internet.

Inicialmente pensado para uso acadêmico, voltado para um número limitado de computadores, o protocolo de internet IPv4 foi desenvolvido com capacidade máxima de 4 bilhões de endereços. Foi para ultrapassar essa barreira que um novo protocolo de internet foi feito: o IPv6!

Com o avanço da tecnologia e o surgimento de cada vez mais produtos “smart”, começamos a sobrecarregar a internet. Câmeras de vigilância, celulares, tablets, Smart TV, computadores, alto-falantes e até lâmpadas inteligentes estão se conectando à internet e necessitando de um IP por aparelho, o que fez essa demanda crescer vertiginosamente. Portanto, os 4 bilhões de endereços IP disponibilizados pelo IPv4 já não são mais suficientes. 

O primeiro passo para ter acesso ao IPv6 é adquirir aparelhos compatíveis com esse novo protocolo. Há diversos aparelhos que teremos que substituir ao longo do tempo. 

O problema:

O principal problema é que a mudança do modelo IPv4 para o IPv6 não é tão simples. Para que ela ocorra, é preciso que todos os dispositivos e sites que usam o modelo antigo, estejam adaptados ao novo. E essa implementação pode levar algum tempo. Porém, é preciso manter o funcionamento nesse período.

Na prática, não é possível simplesmente abandonar o antigo. Isso porque a mudança imediata para o novo sistema traz apenas metade do serviço. Sites mais antigos, que ainda operam em IPv4, não poderiam ser acessados.

Por conta disso, os provedores precisam continuar com o uso do modelo anterior, pelo menos durante o processo de mudança. Por esse motivo utiliza-se o CGNAT a fim de ajudar a diminuir essa dor de cabeça.

O que é o CGNAT?

O CGNAT (Carrier Grade NAT)  é uma técnica de tradução que compartilha endereços de IP entre vários dispositivos e usuários. Ele usa um IP Público que normalmente seria individual, e o distribui entre diversos novos endereços privados, de modo a suprir a demanda.

Enquanto ocorre a mudança, os sites e aparelhos estão sendo adaptados para o novo modelo. O CGNAT é usado para garantir que não haja problemas de conexão, fazendo com que todos possam acessar utilizando os IPs privados gerados à partir dessa distribuição.

Então, quando o IPv6 for totalmente implementado, é feita uma transição para o modelo sem problemas de compatibilidade.

E como fica com o CGNAT?

Você se lembra como utilizava o roteador na sua casa para, à partir de um único IP liberado pelo seu provedor, poder ligar muitos dispositivos ao mesmo tempo na internet? Agora, imagine que o provedor faça algo parecido. Que ele tenha um roteador que, à partir de um único endereço IP, divida este IP por muitos usuários, cada um na sua porta específica. Do ponto de vista da internet, temos apenas um IP, mas são muitos os usuários ligados a este IP. E dentro de cada casa, são muitos os dispositivos ligados a este ip:porta. Veja na figura a seguir:

 

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O funcionamento é o seguinte:

  • O provedor aloca um IP (um único IP) ao CGNAT.
  • Este IP é roteado para um IP na faixa 100.x.x.x. É dado um novo IP nesta faixa para cada novo usuário. O usuário só “enxerga” este IP.
  • Um único IP pode ser dividido entre muitos usuários. Se o tráfego destes usuários é apenas sainte, ou seja, se você usa para acessar a web, por exemplo, nada acontece de diferente do ponto de vista de usuário.

Podem haver incompatibilidades com o CGNAT?

O problema surge quando você tem um servidor, por exemplo, uma câmera. O dispositivo externo pode saber o IP público, mas não tem como saber o IP intermediário, que foi alocado pelo CGNAT. A solicitação nunca chegará em sua câmera, ou jogo, ou robô, ou qualquer outro dispositivo que você costumava acessar remotamente.

Basicamente o CGNAT bloqueia todas as portas que você costumava usar. O método que você estava acostumado para redirecionar o tráfego para algum dispositivo na sua rede, não pode mais ser empregado.

Qual a solução?

Assim como ocorreu com as TVs analógicas que, em determinado momento, foram obrigatoriamente substituídas pela tecnologia de TV digital, a principal solução seria a substituição dos aparelhos que são compatíveis apenas com IPv4 para os atualmente compatíveis com o IPv6. 

Quanto a utilização de câmeras para uso remoto na internet, há fabricantes que já utilizam alguns métodos mais viáveis através de um acesso em Nuvem. Sendo assim, você precisará contatar o seu fornecedor e questioná-lo a respeito.

MOTIVOS PELO QUAL SOLICITAR UM IP FIXO

Outra alternativa temporária seria o uso do IP Fixo, onde a sua conexão sempre terá um endereço único na internet. Isso significa que não será compartilhado com outros usuários. Mesmo se a conexão cair e retornar, continuará com o mesmo IP de acesso, o que não ocorre com os IPs dinâmicos.

Se você possuir um sistema, equipamentos, câmeras ou serviço que necessite de acesso remoto ou, até mesmo, ser um servidor através de um IP Público não dinâmico, terá de solicitar um IP fixo ao seu provedor, o que pode gerar taxas adicionais, pois a maioria utiliza IPs dinâmicos para todos os clientes, o que torna esse serviço exclusivo.

 

Links sugeridos:

 Técnicas de Transição IPv6

 O que é o IPv6, em português claro

 Porque minha câmera web sumiu?

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